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Por Cima da Vida

Luís Represas
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Deixou
Na berma da estrada
Um resto de tudo
Um rasto
De tudo o que era seu
E nada lhe dizia
Adeus

E nem olhou
Por cima do ombro
Por cima da vida
Por baixo dos sonhos
Que há muito as incertezas
Perdeu

Atrás de si só terra
Queimada pelo vício
De esperar muito mais de si
Atrás de si só um sinal
Que os homens lhe mostraram
O mundo para ti termina aqui
Em frente
Tanto mais é longo
O dia
Quanto mais for cega
A falta de paixão
Que se transforma em frio
E dor

Sonhar
Mesmo sem dormir
Mesmo sem ser noite
Mesmo sem ter dias
Mesmo sem sonhar
É como se outra vida
Vier

Atrás de si só terra
Queimada pelo vício
De esperar muito mais de si
Atrás de si só um sinal
Que os homens lhe mostraram
O mundo para ti termina aqui

O coração só se nega
Quando o sonho se entrega
Pra se desesperar
Por cada desespero um sonho
Por cada sonho uma vontade
De se ressuscitar

Voltou
Por cima de tudo
Desfraldando vida
Cavalgando o sonho
E na berma da estrada
Nem ele se lembra
De si
(Nem ele se lembra)
(De si)
(Nem ele se lembra)
(De si)
(Nem ele se lembra)
(De si)
(Nem ele se lembra)
(De si)

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