Oiça lá, ó senhor vinho
Vai responder-me, mas com franqueza
Porque é que tira toda a firmeza
A quem encontra no seu caminho?
Lá por beber um copinho a mais
Até pessoas pacatas
Amigo vinho, em desalinho
Vossa mercê faz andar de gatas
É mau procedimento
E há intenção naquilo que faz
Entra-se em desequilíbrio
Não há equilíbrio que seja capaz
As leis da física falham
E a vertical de qualquer lugar
Oscila sem se deter
E deixa de ser perpendicular
Eu já fui, responde o vinho
A folha solta a brincar ao vento
Fui raio de sol do firmamento
Que trouxe à uva doce carinho
Ainda guardo o calor do sol
E assim eu até dou vida
Aumento o valor seja de quem for
Na boa conta, peso e medida
E só faço mal a quem
Me julga ninguém e faz pouco de mim
Quem me trata como água, é ofensa
Pago-a, eu cá sou assim
Vossa mercê tem razão
É ingratidão falar mal do vinho
E a provar o que digo
Vamos, meu amigo, a mais um copinho
Vossa mercê tem razão
É ingratidão falar mal do vinho
E a provar aquilo que digo
Vamos, amigo, a mais um copinho
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