A vida aqui só é ruim
Quando não chove no chão
Mas se chover dá de tudo
Fartura vem de porção
Tomara que chova logo
Tomara, meu Deus, tomara
Só deixo o meu cariri
No último pau de arara
(Só deixo o meu cariri)
No último (pau de arara)
Enquanto a minha vaquinha
Tiver o couro e o osso
E puder com o chocalho
Pendurado no pescoço
Vou ficando por aqui
Que Deus do céu me ajude
Quem sai da terra natal
Em outros cantos não para
Só deixo o meu cariri
No último pau de arara
(Só deixo o meu cariri)
No último pau de arara
Nem toda nota é o tom
Nem toda luz é acesa
Nem todo belo é beleza
Nem toda pele é vison
Nem toda bala é bombom
Nem todo gato é do mato
Nem todo quieto é pacato
Nem todo mal é varrido
Nem todo quieto é pacato
Nem todo mal é varrido, vai
Não é, não, não
Ô, não
Discutir o cangaço com liberdade
É saber da viola, da violência
Descobrir nos cabelos inocência
É saber da fatal fertilidade
Descobrir a cidade na natureza
Descobrir a beleza dessa mulher
Descobrir o que der boniteza
Na peleja do homem que vier, quando vier
Quando vier, quando vier
Descobrir no bagaço dos engenhos
No melaço da cana mais um beijo
Descobrir os desejos que não tem cura
Saracura do brejo na novena
Descobrir a serena da natureza
Descobrir a beleza dessa mulher
Descobrir o que der boniteza
Na peleja do homem que vier, quando vier
Quando vier, quando vier
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