Boa noite
Vivias no nosso tempo
Num quarto andar de uma velha mansarda
Que tinha junto à janela
Sobre um beiral uma roseira brava
Que hoje eu venho lembrar
Para voltar com toda a minha alma
Ao tempo em que tu dormias
Sobre o meu peito e acordavas calma
E a rosa que eu te dei não foi criada num jardim
Por isso tinha mais significado para mim
E a rosa que eu te dei era uma terna e simples flor
Que fez nascer em nós um grande amor
E a rosa que eu te dei não foi criada num jardim
Por isso tinha mais significado para mim
E a rosa que eu te dei era uma terna e simples flor
Que fez nascer em nós
Que fez nascer em nós
Que fez nascer em nós um grande amor
Vem, quero-te ver quando regresso
Junto à lareira onde me aqueço
E acordar sobre o teu ombro, assim
Vem, vou-te contar as minhas mágoas
Que eu não encontro nem palavras
Para explicar o que sinto
Por ti
Por ti
Veio à boleia lá do norte
De uma cidade poluída
O desemprego, o abandono
Dão p'ra contar a sua vida
Foi trabalhar no Cais Sodré
Com fumo, vício, contrabando
Os marginais e a ralé
Os marinheiros frequentando
E ouviu cantar no cabaret
O jazz, a bossa e o calipso
Dançou descalça sobre as mesas
Ao ver o público submisso
Bebeu do copo dos clientes
O gin e a vodka que sobravam
Chulou os gajos mais sabidos
Vingou a vida que lhe davam
Veio à boleia lá do norte
De uma cidade poluída
O desemprego, o abandono
Dão p'ra contar a sua vida
Foi trabalhar no Cais Sodré
E da má vida foi cativa
Foi a rainha do seu palco
Sem ter orquestra privativa
Foi trabalhar no Cais Sodré
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