Tenho nos olhos quimeras
Com brilho de trinta velas
Do sexo pulam sementes
Explodindo locomotivas
Tenho os intestinos roucos
Num rosário de lombrigas
Os meus músculos são poucos
Pra essa rede de intrigas
Meus gritos afro-latidos
Implodem, rasgam, esganam
E nos meus dedos dormidos
A lua das unhas ganem
E daí? E daí? E dái?
E daí? E daí? E dái?
E daí? E daí? E... dái?
E daí...
Meu sangue de mangue sujo
Sobe a custo, à contragosto
E tudo aquilo que fujo
Tirou prêmio, aval e posto
Entre hinos e chicanas
Entre dentes, entre dedos
No meio destas bananas
Os meus ódios e os meus medos
E daí? E daí? E dái? E daí?
E daí? E daí? E dái?
E daí? (E daí?) E dái? E daí?
E daí? (E daí?) E dái?
Iguarias na baixela
Vinhos finos nesse odre
E nessa dor que me pela
Só meu ódio não é podre
Tenho séculos de espera (espera)
Nas contas da minha costela (nas contas da minha costela)
Tenho nos olhos quimeras
Com brilho de trinta velas (velas)
E daí? E daí? E daí?
E daí? (E daí? E dái?)
E daí? E daí? E dái? E daí? (E daí?)
E daí? (E daí?) E dái?
E daí...?
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